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@martastrelepsi#psicologa#compulsaoalimentar#atendimentoonline

Comer emocional: quando a comida também passa a cumprir uma função emocional

Entenda a diferença entre fome e comer emocional e por que ansiedade, frustração, cansaço e restrição podem influenciar nossa relação com a comida.

Comer não é apenas um ato biológico.

Comida também está ligada a afeto, memória, cultura, prazer, convivência e celebração.

Por isso, comer em resposta a uma emoção ocasionalmente não significa que exista um problema.

A questão merece atenção quando a comida começa a se tornar uma das principais estratégias para lidar com sentimentos difíceis.

“Eu nem estava com fome, mas precisava comer alguma coisa”

Depois de um dia exaustivo, você chega em casa e procura algo para comer.

Depois de uma discussão, abre um pacote.

Quando está ansioso, sente necessidade de mastigar.

Quando está frustrado, busca algo doce.

Por alguns minutos existe alívio.

Depois podem aparecer culpa, arrependimento e a promessa:

“Amanhã eu vou me controlar.”

E então começa novamente o ciclo da restrição e da cobrança.

O comer emocional não é simplesmente falta de controle

Nosso comportamento alimentar pode ser influenciado por diferentes fatores:

fome física;

hábitos;

disponibilidade de alimentos;

cultura;

restrições alimentares;

sono e cansaço;

ansiedade;

tristeza;

estresse;

solidão;

prazer e recompensa.

Por isso, reduzir tudo a “falta de disciplina” costuma aumentar a culpa sem ajudar a compreender o comportamento.

Antes de perguntar “como faço para não comer?”, experimente outra pergunta

“O que está acontecendo comigo quando sinto que preciso comer dessa forma?”

Talvez exista exaustão.

Talvez exista solidão.

Talvez você esteja passando o dia inteiro restringindo a alimentação.

Talvez a comida tenha se tornado a única pausa permitida.

Talvez você tenha aprendido desde cedo a associar comida a conforto, prêmio ou cuidado.

Compreender isso não significa demonizar determinados alimentos.

Significa ampliar seu repertório para que a comida não precise carregar sozinha a função de regular tudo o que você sente.

E quando existe perda de controle?

Episódios frequentes de perda de controle ao comer, sofrimento intenso, alimentação escondida, restrições rígidas ou preocupação excessiva com comida e corpo merecem avaliação profissional.

Transtornos alimentares são condições de saúde e não devem ser tratados como falta de força de vontade.

Dependendo da situação, o acompanhamento pode envolver diferentes profissionais, como psicólogo, médico, psiquiatra e nutricionista.

Na psicoterapia, podemos investigar a relação entre emoções, pensamentos, corpo, alimentação e comportamentos, sempre considerando a história particular de cada pessoa.

Se comer deixou de ser apenas comer e passou a ser acompanhado de sofrimento, culpa ou sensação constante de perda de controle, talvez seja importante olhar para o que existe por trás desse ciclo.